MTA

20ª Mostra de Teatro de Almada / 2016

NNT - Novo Núcleo Teatro
ALÉM DA SOLIDÃO”
ESTREIA
16 NOVEMBRO | QUARTA | 19H00 | M/14 | 60'
CINETEATRO DA ACADEMIA ALMADENSE

fotografia©Luís Aniceto/Vítor Cid
Após as ruínas da vida estavam eles, sós frente à multidão, despidos de subterfúgios. Nada para além da sua solidão. As suas vozes a fazerem eco no silêncio daquela paisagem obscura. Falavam sem parar, sem respirar. Além da solidão as suas palavras escoavam no vazio do terreno selvagem. A noite, como cúmplice sorrateira, das doces loucuras. Eram três, ou talvez quatro, esqueci-me.
O palco uma caixa negra, caixa sonora de vozes que vão aparecendo e que nos levam para além da solidão pelas paisagens que o mundo inventou para este dia nosso. A solidão e a palavra que nos envolvem para nos enredar em histórias mágicas, terroríficas e banais.

FICHA ARTÍSTICA E TÉCNICA
Texto e Encenação : Susana Vidal | Intérpretes: Gabriel Marcelino, Inês Borba, João Alves, Leonor Grosso, Raquel Martins | Desenho de Luz: Susana Vidal Produção e cenografia: Novo Núcleo Teatro | Produção: Novo Núcleo Teatro

20ª Mostra de Teatro de Almada / 2016

Ninho de Víboras
INAUGURAÇÃO”
ESTREIA
13 NOVEMBRO | DOMINGO | 22H30 | M/16 | 50'
TEATRO-ESTÚDIO ANTÓNIO ASSUNÇÃO

Todos os textos que têm por tema a simplicidade de se ser humano deviam ser considerados clássicos. ‘INAUGURAÇÃO’ é uma peça de teatro simples, clara e evidente.
INAUGURAÇÃO’ é um encontro. Três personagens dão voz ao que de humano há em ser-se humano. Duas vozes, um casal apanhado nas malhas do seu consumo desenfreado, atolado em objetos opressores de uma liberdade perdida, esquecida, ou apenas dormente, recebe em casa um amigo, voz em tudo oposta às suas, guardiã das coisas simples que não saltam aos olhos e não ensurdecem. A noite desenrola-se suavemente aos solavancos, como se se ouvisse duas músicas, divergentes no tom, a tocar ao mesmo tempo. À saída do amigo, no final da noite, segue-se o barulho ensurdecedor do silêncio deste casal que, despindo peça a peça um véu de máscaras, se vê irresistivelmente “nu” perante si próprio.
‘INAUGURAÇÃO’ de Václav Havel. Projeto há muito na calha. Trata-se de uma peça de teatro simples, clara e evidente. Uma crítica aberta ao consumismo e ao encardir da alma que esse mesmo consumismo provoca. Uma peça sem tempo. Três atores, um casal e o amigo, numa sala irrespirável, jogam um jogo que não é o mesmo para uns e outro, revelando, pouco a pouco, o pouco que fica uma vez retirada a parafernália de objetos de consumo, quais sombras, que oprimem a simplicidade e a beleza do que é ser-se humano.
(Cristina Gonçalves, julho de 2016)

FICHA ARTÍSTICA E TÉCNICA
Texto: Václav Havel | Tradução, Dramaturgia e Encenação: Cristina Gonçalves
Intérpretes: Cristina Gonçalves, Paulo Diegues, Joaquim Pedro | Cenografia e Grafismo: Carlos Janeiro | Fotografia de Cena: António Coelho | Iluminação: Gabriel Orlando | Produção Executiva: Karas